Quando ocorre o efeito de lente gravitacional, podemos ver o objeto que está causando o efeito?

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 Quando a gravidade de um objeto em primeiro plano distorce e amplia a luz proveniente do fundo, as imagens circundam o objeto responsável pelo efeito de lente.

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The space-warping galaxy cluster Abell 1689, which lies 2.2 billion light-years away in the constellation Virgo, contains trillions of suns, but most of its matter can't be seen. Still, this unseen mass affects space, bending the light from individual galaxies behind the cluster into multiple curved, bluish arcs. This image is about 2 million light-years across. Credit: NASA/ESA and The ACS Science Team


Por que não "vemos" a lente gravitacional?

Quando uma lente gravitacional amplia uma galáxia distante, por que não vemos o objeto que está causando o efeito, como aconteceria ao olharmos através de uma lente óptica comum?

Pergunta de Robert Hertrick, Pittsburgh

 

O efeito de lente gravitacional é um dos fenômenos mais belos e extraordinários previstos pela física teórica e descobertos pelos astrônomos, em muitos casos, por acaso. Quando a gravidade de uma galáxia em primeiro plano distorce e amplifica a luz de uma galáxia em segundo plano, o resultado é um espetáculo cósmico: um anel de Einstein perfeito ou múltiplas imagens do objeto de fundo.

Em todos os casos, essas imagens se formam ao redor do objeto responsável pelo efeito de lente. Isso leva a uma questão intrigante: se pensarmos na galáxia que atua como uma espécie de "lupa" gravitacional, por que a imagem não aparece sobreposta a ela, como quando olhamos através de uma lente de vidro comum? A resposta revela a natureza sutil e invisível da gravidade.

 

A natureza invisível da lente

Na verdade, a imagem aparece dentro da área da lente — mas a própria lente é invisível. Diferentemente do vidro, a luz não precisa atravessar a galáxia para ser desviada por sua gravidade. O que importa é o campo gravitacional, que atua diretamente sobre o tecido do espaço-tempo.


Um exemplo clássico é o aglomerado de galáxias Abell 1689. As galáxias amarelas e brilhantes que vemos são mantidas unidas pela gravidade, mas a maior parte da massa que causa a distorção é na verdade matéria escura — invisível e detectável apenas por sua influência gravitacional. A densidade das galáxias no aglomerado ajuda a traçar a profundidade do poço gravitacional, indicando onde esse campo invisível se encontra (HubbleSite, 2003). Os belos arcos azulados que observamos entre as galáxias amarelas são, na realidade, galáxias de fundo cuja luz foi esticada e distorcida ao passar por esse campo gravitacional massivo.

Além disso, observações em raios-X , que detectam gás a milhões de graus dentro do aglomerado, oferecem outro método para "mapear" a extensão desse campo gravitacional e confirmar a presença da matéria escura (Harvard/Chandra, 2008).

 

Analogias e mal-entendidos ópticos

Nem todos os exemplos de "lentes" no cosmos são puramente gravitacionais, o que pode causar alguma confusão. Assim como a gravidade curva a luz, os elétrons livres em nuvens de poeira interestelar também podem espalhar a radiação de fontes distantes.

 


Quando a luz de um objeto distante interage com os elétrons na poeira de uma galáxia em primeiro plano, os astrônomos podem observar halos de raios-X — análogos aos anéis de Einstein, mas produzidos por matéria comum. Se a poeira for invisível, esses halos seriam tão misteriosos quanto as lentes gravitacionais. Em 1983, os primeiros desses halos foram observados (Bode & Evans, 1983), e pesquisadores como Bruce Draine e Nick Bond , de Princeton, sugeriram usar a geometria dessa distorção para determinar escalas de distância cosmológicas, um método já consagrado no estudo das lentes gravitacionais tradicionais.

 

A física por trás da imagem

A confusão sobre a "falta da lente" surge ao tentarmos aplicar a óptica geométrica clássica a um fenômeno regido pela Relatividade Geral . Como Simon Dedeo , da Universidade de Princeton, explica no artigo original:

"Textos sobre lentes gravitacionais afirmam que as imagens produzidas não são 'imagens verdadeiras' em um sentido óptico: sua luz não é focalizada em um ponto no observador. Mas nossos telescópios não têm problema em coletar a luz e realizar o foco por conta própria."

Ou seja, a lente gravitacional não forma uma imagem nítida que possamos ver projetada no espaço. Em vez disso, ela redireciona e concentra os fótons que, de outra forma, passariam retos. Nosso telescópio então coleta esses fótons desviados e, usando suas próprias lentes e espelhos (ópticos), os reorganiza para formar a imagem final (NASA, 2021).